terça-feira, 13 de setembro de 2016

aposto que foi assim

casado
uma
agradável
dama
de
pernas
longas
e
cheia
de
carne
pai
2
filhas
14
e
16
belas
adolescentes
deitadas
no
gramado
alegre
de
uma
primavera
infinita
proprietário
empresa
com
centenas
de
assalariados
muito
obedientes
proprietário
casas
imensas
muito
brancas
muito
limpas
na
cidade
campo
litoral
possuía
até
cães
e
gatos
bastante
palermas
para
distraí-lo
em
seus
finais de semana
enquanto
mamava
uísque
importado
e
espiava
os
seios
empinados
quase
rasgando
a
camiseta
de
sua
vizinha
certa
manhã
o
sol
não
apareceu
a
esposa
escafedeu-se
as
filhas
abandonaram
o
gramado
fugiram
abraçadas
com
2
guitarristas
de
rock
descabelado
tenso
cheio
de
medo
e
ódio
foi
à
empresa
os
assalariados
desobedeciam
as
normas
e
não
contentes
furiosos
despedaçavam
tudo
que
viam
pela
frente
mais
descabelado
já
soluçando
babando
retornou
à
casa
chegando
garras
ferozes
de
seus
cães
e
gatos
espancaram
seu
corpo
e
a
vizinha
gargalhou
e
logo
estava
sem
dinheiro
vendeu
as
casas
imensas
brancas
e
limpas
e
logo
esse
dinheiro
acabou
também
tornou-se
um
andarilho
de
olhos
esbugalhados
encontrou
nessa
andança
esfomeada
uma
andarilha
de
olhos
amargos
começaram
imediatamente
a
foder
freneticamente
sobre
latas
de
lixo
ao
luar
passaram-se
anos
de
sexo
e
miséria
ele
notou
em
certa
tarde
nublada
o
quanto
aquela
vida
era
boa
comparada
à
antiga
e
beijou
com
paixão
nos
lábios
sua
amante
andarilha
e
veio
a
chuva
lavando
aquelas
roupas
tão
deslumbradas
tão
sujas
vi
apenas
essa
última
cena
o
resto
é
imaginação
mas
o
trovejar
da
tarde
iluminou
essa
aposta
     
  
   

sábado, 10 de setembro de 2016

se soubesse   não faria

não sei
escever
poemas
mas
escrevo
a
imensa
maioria
de
escritores
que
li
sabia
nisso
consiste
sua
fraude
escreviam
tão
bem
tão
bem
que
dormia
na
metade
de
seus
livros
uma
corja
bolorenta
enfurnada
em
seus
quartinhos
limpos
enquanto
suas
carnes
apodreciam
já
que
não
viviam 
nunca
experimentaram
fome
cansaço
insônia
nem
uma
mísera
dor
de
dente
uma
unha
encravada
nada
de
hospício
cadeia
nunca
traíram
ou
foram
traídos
e
se
nada
aconteceu
em
suas
vidas
o
que
eles
teriam
a
dizer
acerca
da
sua???
me
refiro
à
existência
daqueles
que
perceberam
seu
mundo
em
ruínas
a
catástrofe
diária
a
tosse
contínua
ardência
no
estômago
veneno
no
sangue
outros
contentes
com
sua
existência
atingiram
o
êxtase
ao
beber
do
cálice
eloquente
daquela
imensa
maioria
a
rabiscar
palavras
que
para
mim
sequer
tocavam
a
pele
já
trêmula
inquieta
esmagada
decidi
escrever
mesmo
não
sabendo
conclui
que
aqueles
que
sabiam
usavam
a
linguagem
de
forma
correta
coisa
que
não
conseguiria
fazer
devido
minha
gritante
estupidez
inventei
uma
estuprando
as
normas
da
língua
portuguesa
se
fará
sentido
para
alguém
não
sei
se
fizer
ÓTIMO
mas
não
me
convidem
para
entrevistas
fotos
recitais
qualquer
tipo
de
adulação
prefiro
viver
no
anonimato
escondido
na
selva
como
bom
predador
que
sou
apenas
ataco
na
hora
que
considero
propícia
ataco
feroz
na
jugular
vejo
o
sangue
manchar
os
corpos
meu
e
SEU
ensanguentado
retorno
à
selva
entre
plantas
animais
e
pedras
espero
sua
vida
se
tornar
carniça
espero
o
aterrisar
dos
abutres
espero
que
de
SEU
SER
morto
surja
outro
mais
interessante
afinal
é
o
que
você
quer
não
é???
espero
todo
faceiro
o
desenrolar
da
cena
e
logo
escrevo
outro
poema
tola
tentativa
de
causar
ESPANTO
escrevo
mesmo
não
sabendo
escrever
exatamente
aqueles
que
não
sabiam
é
que
golpearam
minhas
entranhas
e
aprendi
com
eles
a
sorrir
diante
da
MORTE


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

ele era um poeta    ela era o local onde escrevia

Pedro
uma
catástrofe
em
forma
de
ser
vivo
sempre
aos
tropeços
esbarrando
em
toda
esquina
andava
atordoado
pra
lá
e
pra
cá
um
vaivém
de
barata
encharcada
de
inseticida
e
 nada
orientava
a
tragicomédia
em
que
estava
afundado
gostava
de
ler
gibi
mas
não
entendia
por que
o
herói
tão
insípido
triunfava
sobre
o
bandido
tão
fascinante
gostava
de
ouvir
punk rock
não
entendia
por que
seus
ídolos
morriam
jovens
eterna
confusão
chacoalhava
seus
ossos
com
o
tempo
percebeu
seu
pertencimento
ao
clube
dos
perdedores
e
num
esbarrão
embriagado
em
noite
festiva
conheceu
Maria
conheceu
o
sexo
suculento
entre
as
pernas
da
garota
não
queria
nenhuma
outra
atividade
lançou-se
no
vertiginoso
universo
do
entrelaçar
de
pernas
e
gostou
chega
de
gibi
ou
punk rock
a
buceta
de
Maria
conquistou
todo
seu
corpo
não
havia
mais
confusão
entendia
tudo
ao
saborear
a
boca
peitos
pernas
até
as
orelhas
e
os
pés
de
Maria
ele
degustava
e
ela
pouco
dizia
parecia
que
para
ela
tanto
fazia
Pedro
ou
Roberto
ou
João
ou
Augusto
qualquer
um
lhe
serviria
mas
como
Pedro
imerso
na
paixão
doentia
não
desgrudava
de
sua
buceta
Maria
aceitou
aquela
monogamia
sem
perceber
a
insanidade
crescente
de
Pedro
seu
pau
esfolado
sangrava
e
ardia
até
foi
ao
médico
que
disse:
"se continuar assim esse
troço desaba!!!"
ele
não
quis
saber
pois
apenas
ali
entre
as
coxas
morenas
de
Maria
habitava
a
tranquilidade
desejada
essa
história
de
paixão
não
termina
bem
Maria
com
as
paredes
da
buceta
totalmente
em
ruínas
foge
na
noite
veloz
deixando
o
fogo
de
Pedro
solitário
prestes
a
virar
cinzas
furioso
a
persegue
e
após
semanas
a
encontra
largada
numa
calçada
cheirando
a
urina
fumando
crack
sorrindo
de
boca
aberta
com
seu
vestido
de
domingo
aos
farrapos
Pedro
tenta
convencê-la
a
reatar
o
romance
dizendo:
"é só dentro de você
que me acalmo!!!"
ela
despreza
sua
fala
acende
o
cachimbo
e
mira
o
pôr do sol
Pedro
mais
furioso
ainda
avança
sobre
a
garota
espancando-a
com
a
violência
de
um
pelotão
de
100
homens
sua
paixão
tornou-se
santificado
ódio
pois
ele
persiste
no
espancamento
até
verificar
a
morte
nos
olhos
de
Maria
e
parte
confuso
novamente
atordoado
novamente
pra
lá
e
pra
cá
enfim
chega
na
fronteira
do
mundo
um
abismo
de
fundo
negro
e
Pedro
prossegue
com
seu
passo
destemido
desaparece
na
negritude
do
vale
infinito
enquanto
os
urubus
ao
sentir
o
cheiro
da
desgraça
passeiam
em
círculos
sobre
o
corpo
sem
vida
entoando
canções
apaixonadas
eles
cantam
alegres
esperando
a
existência
de
Pedro
virar
carniça

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

quem não vive    aplaude quem vive
quanto
mais
vestígio
de
sangue
no
chão
da
existência
mais
interessante
ela
fica
e
se
não
houver
queda
desinteressante
ela
fica
não
adianta
espancar
a
vida
é
a
vida
que
há
de
espancá-lo
com
força
devastadora
para
que
isso
aconteça
é
preciso
sorte
(exatamente o que os outros
chamam de azar!!!)
para
provocar
essa
sorte
a
única
possibilidade
é
arriscar-se
recusar
a
segurança
do
sofá
macio
portão
eletrônico
conta
bancária
diploma
universitário
direitos
trabalhistas
conduta
condizente
com
a
moral
do
mundo
que
lhe
envolve
há
de
se
equilibrar
em
fio
de
arame
há
de
se
confiar
em
todos
torcendo
para
que
todos
lhe
enganem
desabe
no
mel
das
impurezas
espere
tranquilo
o
nível
desse
rio
gostoso
cheio
de
imundice
abaixar
se
erga
e
mais
uma
vez
se
arrisque
apostando
na
sorte
de
cair
novamente
esperneando
no
mel
pegajoso
sujo
mal cheiroso
repugnante
e
assim
sucessivamente
auge
e
declínio
até
o
fim
sorridente
pois
terá
certeza
que
sua
vida
foi
interessante
o
suficiente
para
se
transformar
num
filme
dirigido
por
algum
cineasta
de
vanguarda
que
também
gosta
de
cortejar
o
penhasco
e
esse
filme
será
aclamado
já
que
quando
os
normais
assistem
uma
existência
anormal
eles
pensam:
"que vida saborosa!!!"
e
voltam
de
maneira
SEGURA
às
suas
residências
também
SEGURAS
e
dormem
um
sono
tranquilo
sabem
de
seu
cotidiano
sem
gosto
mas
sabem
também
que
no
cinema
podem
assistir
de
forma
SEGURA
uma
existência
caótica
perturbada
perigosa
que
eles
desejam
mas
é
melhor
NÃO
é
coisa
de
filme
viver
assim
é
loucura
e
os
loucos
mergulhados
na
fogueira
se
deliciam
aos
normais
somente
resta
pagar
o
ingresso
e
aplaudir


  

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

uma  cagada  tranquilizante

escritor
se
arrasta
deixando
rastro
de
tristeza
nas
pedras
em
que
pisa
andar
de
homem
esgotado
trancafiado
no
mundo
que
ele
mesmo
inventou
e
almoçou
num
restaurante
decadente
repleto
de
moscas
bicheiras
e
casais
que
pareiam
aborrrecidos
diante
de
seus
copos
de
cerveja
vagando
à
esmo
surgiu
contorcionismo
nas
tripas
procurou
um
banheiro
não
encontrou
já
que
era
dia
7
de
setembro
fúnebre
feriado
ruas
desertas
lojas
fechadas
a
poeira
açoitando
os
olhos
contorcionismo
crescia
passos
velozes
desesperados
o
sol
espancava
a
face
contraída
e
o
escritor
mirava
as
nuvens
e
percebia
sua
indiferença
pálida
ao
verificar
o
tormento
do
homem
prendendo
a
MERDA
prestes
a
explodir
até
que
avistou
a
rodoviária
entrou
correndo
num
banheiro
imundo
sentou
faceiro
na
privada
despejou
contente
aquilo
que
se
contorcia
nos
seus
velhos
intestinos
doentes
e
lá
permanceu
por
boa
meia hora
lugar
agradável
aquele
com
seu
odor
repugnante
com
dezenas
de
frases
obsenas
escritas
na
porta
sentiu
naquele
cubículo
uma
solidão
que
ele
tanto
conhecia
mas
naquele
local
a
sensação
não
sufocava
o
corpo
gasto
entregava
algo
nos
braços
marcados
por
cicatrizes
esse
algo
ele
não
entendeu
o
que
seria
mas
era
bom
uma
dose
de
morfina
na
veia
inquieta
e
sentiu
o
sangue
cavalgar
delicado
entorpecido
  permaneceu
sentado
com
a
MERDA
boiando
embaixo
dele
até
que
uma
voz
embriagada
invadiu
o
banheiro
todo
o
encanto
foi
dilacerado
e
o
escritor
saiu
contrangido
enquanto
o
bêbado
olhava
seu
andar
novamente
triste
que
se
dirigiu
à
calçada
das
pedras
brancas
e
negras
se
arrastando
com
uma
saudade
imensa
daquele
banheiro
imundo

 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

mais do mesmo

                                                                          a  Bianca Bueno

não
posso
vê-la
quando
quero
(ela fode com outros por aí!!!)
não
quero
vê-la
quando
posso
(estou ocupado com tarefas estúpidas!!!)
como
essa
que
agora
faço
durmo
surge
sonho
lindo
acordo
surge
realidade
em
forma
de
pesadelo
não
possuo
dinheiro
para
gasolina
tampouco
pretendo
possuir
um
carro!!!
pensamento
atrapalhado
como
esse
gera
ardência
na
cabeça
a
calmaria
sorri
para
o
peito
quando
escrevo
essas
tolices
mas
logo
acaba
a
escrita
consequentemente
tranquilidade
se
despede
tento
recuperá-la
através
da
música
cinema
andança
bate-papo
tudo
tentativa
vã
mas
desesperado
continuo
buscando
imagino
orgia
com
mulheres
esculturais
agarro
o
pau
e
me
masturbo
enlouquecido
imaginando
loiras
morenas
índias
japonesas
todas
me
acariciando
com
um
fervor
digno
de
santas
e
o
jato
de
esperma
chega
quente
sobre
a
pança
velha
e
novamente
tudo
acaba
rápido
como
um
incêndio
decapitado
por
mangueiras
de
bombeiros
sonolentos
como
esse
poema
que
à
base
de
facadas
liquido
nesse
instante
que
também
morre
enquanto
giro
o
corpo
e
observo
o
silêncio
da
última
noite
de
agosto
 

sábado, 3 de setembro de 2016

desajeitado

deitado
no
sofá
assistia
o
show
de
Candy Dulfer
desajeitado
suando
coçando
bolas
pernas
pescoço
braços
com
os
pés
congelados
a
cabeça
rugindo
e
quando
finalmente
as
canções
me
acalmavam
desajeitado
ergui
o
corpo
vi
em
curiosa
câmera lenta
o
controle remoto
desabar
exatamente
dentro
do
copo d'água
a
descansar
no
carpet
retirei
o
náufrago
imediatamente
apontei
para
a
tela
apertei
um
botão
qualquer
e
claro!!!
NENHUMA
RESPOSTA
desajeitado
corri
para
o
banheiro
abri
o
compartimento
das
pilhas
as
salvei
do
lago
em
que
estavam
desajeitado
cada
vez
mais
desajeitado
enxuguei
furioso
com
 a
toalha
verde
aquele
ser
eletrônico
mais
frágil
que
minha
vida
retornei
à
sala
coloquei
as
pilhas
e
adivinhem?
NENHUMA
RESPOSTA
desajeitado
repeti
a
ida
e
volta
ao
banheiro
umas
5
vezes
até
que
senti
muito
suor
invadindo
os
olhos
cansados
na
calorosa
e
última
tarde
de
agosto
percebi
que
não
havia
mais
nada
a
fazer
desajeitado
caí
sobre
meu
colchão
velho
a
coceira
voltou
a
cabeça
voltou
a
emitir
seus
rugidos
os
pés
voltaram
a
se
congelar
e
imaginei
a
distância
que
agora
me
separava
da
deliciosa
loira
americana
Candy Dulfer
apesar
de
ouvir
seu
saxofone
vibrando
na
sala
mas
sem
o
maldito
controle
do
aparelho
de
DVD
seu
show
iria
morrer
em
breve
não
poderia
fazê-lo
renascer
já
que
o
desgraçado
do
aparelho
depende
totalmente
do
controle
ah!!!
não
quis
imaginar
todos
meus
queridos
disquinhos
mofando
na
prateleira
mas
imaginei
e
desajeitado
me
levantei
caminhei
até
eles
encarei
um
por
um
com
meus
olhos
mais
cansados
do
que
nunca
duas
bolinhas
agonizantes
enfeitando
a
face
assim
permaneci
por
quase
uma
hora
mirando
a
morte
dos
disquinhos
desajeitado
fiz
esse
poema
sobre
a
última
tarde
de
agosto
e
provavelmente
não
foi
a
última
vez
que
notei
o
quanto
desajeitado
sou