segunda-feira, 8 de maio de 2017

    VOCÊ É DOIDO O SUFICIENTE???

QUANDO
ESSA
COISA
CHAMADA
VIDA
ARDE
NA
VEIA
CORAÇÃO
INFLA
COMO
BEXIGA
É
INVADIDO
POR
VENTO
ALEGRE
E
SE
TEU
AMIGO
VENTO
ESTÁ
AUSENTE
ENTOE
UM
CÂNTICO
SORRIDENTE
ATRAVÉS
DE
SUAS
ORELHAS
TRANSPARENTES
E
TUDO
ACONTECERÁ 
SE
O
CÂNTICO
NÃO
O
TROUXER
VAGUE
DOIDO
ESTRADA
 AFORA  
ASSOBIANDO
BAIXINHO
UM
HINO
ESTRANGEIRO
SE
MESMO
ASSIM
NADA
ACONTECER
SE
MESMO
ASSIM
NÃO
SURGIR
FOGARÉU
NA
VEIA
ESQUÁLIDA
CONTINUE
INVENTANDO
FORMAS
DE
ATRAIR
O
VENTO
ALEGRE
OU
ESQUEÇA
ISSO
QUE
ESCREVI
E
FAÇA
O
QUE
VOCÊ
QUISER
AFINAL
NÃO
SOU
PADRE
PARA
ACONSELHAR
ALGUÉM
AINDA
MAIS
VOCÊ

QUE
É
 DOIDO
O
SUFICIENTE
PARA
LER
ESSA
BOBAGEM

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CONFORTÁVEL INSEGURANÇA


se
hoje
o
mel
mancha
os
arredores
mornos
da
boca
que
um
dia
esteve
  semi morta  
tudo
indica
que
logo
mel
semi morto
manchará
os
arredores
mornos
da
boca
que
um
dia
 esteve
melada
já
que
vida
que
levo
oscila
mais
que
pinheiro
magrelo
à
mercê
do
vento
doido
das
tardes
de
outono
e
sempre
foi
assim
dias
sim
dias
não
vou
sobrevivendo
colecionando
arranhões
por
todo
usado
corpo
que
navega
trôpego
as
águas
do
Iguaçu
corpo
a
possuir
dedos
cadavéricos
que
 espancam
delicadamente
as
teclas
dessa
máquina
enquanto
admiro
o
esvoaçar
 dos
cabelos
pretos
de
Simone
ela
se
despede
com
seu
olhar
alegre
tristonho
e
escrevo
isso
saboreando
o
mel
que
retirei
do
seu
útero
com
suaves
toques
de
obscena
língua
sabendo
que
a
ruína
de
nosso
castelo
de
cartas
viciadas
pode
acontecer
a
qualquer
momento
estranhos
dias
em
um
mundo
estranho
e
há
um
sorriso
teimoso
pregado
em
minha
face
antes
tão
ensanguentada
e
há
sorrisos
teimosos
em
todas
as
faces
que
vejo
mesmo
naquelas
nitidamente
desesperadas
SERÁ
QUE
ESTOU
PRESO
NUM
FILME
 ROMÂNTICO?
OU
LIBERTO
DEMAIS
NUM
PALCO
DE
IMINENTE
  TRAGÉDIA?
acho
que
estou
com
um
pé
em
cada
um
e
ao
mesmo
tempo
flutuo
entre
as
nuvens
pálidas
do
dia
não
mais
 enrubescido 

terça-feira, 18 de abril de 2017

no bar do Paulista

o
carro
cinza
passa
e
a
moça
de
vestes
coloridas
passa
nuvens
não
se
movimentam
sob
o
sol
do
verão
"onde
estarei
quando
essa
estação
  findar?"
talvez
trancafiado
naquele
local
chamado
hospício
talvez
adormecido
naquele
local
chamado
casa
"e
como
  estarei?"
talvez
sem
uma
gota
de
gordura
a
invadir
o
corpo
cadavérico
talvez
triste
escutando
BLUES
numa
cadeira
de
balanço
quebrada
talvez
contente
ANDARILHO
entre
as
folhas
pardas
do
mês
vindouro
talvez
ainda
coberto
do
ouro
que
tanto
fascina
àqueles
que
não
o
possuem
que
tanto
desagrada
este
que
vos
escreve
já
que
rasgo
notas
de
2
reais
já
que
arremesso
moedas
de
10
centavos
na
calçada
selvagem
na
qual
os
mansos
passeiam
PLANEJANDO
SONHANDO
enquanto
permaneço
próximo
do
meu
endereço
tentando
me
comunicar
com
CÃES
GATOS
GALOS
PÁSSAROS
já
que
nada
tenho
a
dizer
aos
que
são
chamados
de
HUMANOS
e
o
ano
novo
me
parece
grandiosa
velharia
assim
escrevo
isso
que
dizem
ser
POESIA

aos lobos selvagens

LOBÃO
disse
que
o
riso
escorre
fácil
quando
a
grana
corre
solta
EU
digo
mais:
"O
riso
não
escorre
fácil
quando
o
amargor
do
 alcalóide 
perfura
a
gengiva
O
riso
não
escorre
fácil
quando
a
prostituta
não
é
sua
amiga
(cospe
na
sua
cara
depois
vocifera
idiotices
dignas
de
um
verdadeiro
espancamento
em
sua
face
atormentada)
O
riso
não
 escorre
fácil
quando
alguém
lhe
entrega
conselhos
com
a
boca
imunda
exalando
esgoto
O
riso
não
escorre
fácil
quando
a
chuva
massacra
seu
cabelo
(transformando
em
lama
todo
aquele
pus
que
já
habitava
seu
ser)
O
riso
às
vezes
escorre
fácil
como
dizia
LOBÃO
quando
moças
meigas
abrem
sorrisos
e
fecham
pernas
na
tentativa
de
preservar
o
segredo
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
quando
a
música
se
perpetua
no
tímpano
enjaulado
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
quando
um
girassol
AMARELO
VAN GOGH
pisca
e
você
acende
delicadamente
seu
cigarro
com
palito
de
fósforo
banhado
de
sol
holandês
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
mas
nem
sempre
e
nem
sempre
quando
a
grana
corre
 solta"


quinta-feira, 23 de março de 2017

o homem da porta dos fundos

a
eternidade
dos
dias
DEITA
suave
à
espreita
aquilo
que
desconhece
sabiam?
menina
a
quem
emprestei
aquele
romance
de
Clarisse
nada
disse
sobre
data
de
devolução
e
CAMINHO
acompanhado
agora
sabiam?
cadelinha
principesca
desfila
seu
estilo
com
uma
soberania
inglesa
entre
transeuntes
vestidos
de
excessivo
calor
e
olho
através
da
janela
do
ônibus
amarelo
VEJO
supermercados
amarrotados
garotas
nas
margens
da
BR
em
eterna
caminhada
eterno
gingado
diante
dos
dias
que
virão
pois
é
verão
e
todo
verão
promete
ouviu
Salete?
foram
sete
as
tentativas
de
suicídio
grandioso
fracasso
lasso
vaguei
por
estrangeiros
dez
anos
agora
retorno
e
lanço
meu
ponto
de
interrogação
à
aldeia
em
que
vivo
num
pau de arara 
sorridente
eu
contente
escrevo
e
espero
alguém
sussurrar
penetrando
meus
escassos
domínios
ARRISCADO
IRRESPONSÁVEL
escrevo
fumando
e
sentindo
ao
lado
vento
elétrico
TRÊMULOS
estão
os
pelos
do
braço
direito
em
que
desenho
de
índia
descansa
com
suas
unhas
de
escuridão
minha
Simone de Beauvoir
tatuada
na
pele
de
seu
Jean Paul Sartre
dois
doidos
duelando
e
apostando
todas
as
fichas
um
no
outro


sábado, 17 de dezembro de 2016

uma alvorada infeliz e contente

nessa
manhã
há
um
balde
de
vômito
transbordando
ferindo
o
tapete
imundo
nessa
manhã
há
um
jovem
cavalheiro
preparando
dejejum
para
entregar
na
cama
de
uma
jovem
dama
toda
nua
escondida
pelo
lençol
branco
colorido
por
líquido
seminal
nessa
manhã
a
corroíra
iniciou
seu
canto
matinal
como
sempre
antes
de
todos
os
pássaros
que
habitam
o
vale
ela
é
uma
solista
canta
solitária
ainda
na
noite
preta
e
mesmo
que
berre
ninguém
a
escuta
já
que
a
cidade
dorme
com
as
cabeças
mergulhadas
em
seus
baldes
repletos
de
vômito
encobertas
por
lençol
brilhante
permanecem
as
jovens
damas
esperando
seus
amantes
esquálidos
nessa
manhã
os
livros
de
minha
estante
me
fitam
tristes
pois
não
os
leio
mais
já
que
nada
me
dizem
palavras
nunca
disseram
NADA
nessa
manhã
há
um
velho
catador
de
papelão
ou
plástico
ou
latinhas
de
alumínio
ele
carrega
com
esforço
tamanho
que
sorri
enquanto
traga
seu
cigarro
de
palha
e
olha
sua
mulher
negra
bebendo
no
gargalo
seu
líquido
entorpecente
mera
fábrica
de
sonhos
e
eles
seguem
BR
afora
rumo
à
ponte
onde
nessa
manhã
um
suicida
indeciso
mira
o
reflexo
do
Iguaçu
dourado
nesse
amanhecer
fácil
porém
ele
acha
tudo
difícil
mas
a
contradição
em
seu
corpo
cambaleante
o
faz
hesitar 
nessa
manhã
famílias
gordas
fazem
piqueniques
nas
margens
do
rio
se
deliciando
com
o
out-door
nublado
e
os
peixes
alvoroçados
pulam
boquiabertos
talvez
por
fome
talvez
pela
possibilidade
do
canto
talvez
por
medo
e
eles
pulam
do
leito
deslumbram
seus
segundos
de
festa
no
voo
miraculoso
e
afundam
novamente
na
água
lodosa
de
nosso
Iguaçu
que
como
sempre
escorre
montanha
abaixo
seu
destino
é
o
mar
onde
nessa
manhã
pescadores
dispostos
depois
de
foderem
tranquilos
suas
pequenas
lançam
suas
redes
carnívoras
na
captura
de
tainhas
ou
quem
sabe
sardinhas
ou
quem
sabe
latas
cheias
de
maconha
que
farão
sua
alegria
durante
todo
dia
ou
por
todo
mês
ou
por
toda
uma
década
e
nessa
manhã
um
tanto
fria
um
tanto
encabulada
um
tanto
calada
meu
brado
se
torna
mais
alto
pois
falo
baixo
sobre
a
triste
piada
de
ainda
existir
é
alegre
também
essa
piada
o
calor
dos
dentes
se
manifesta
e
o
cigarro
entre
os
dedos
não
se
aquieta
a
música
grita
baixinho
não
irrita
aqueles
que
dormem
abençoados
nessa
manhã
tão
linda
enquanto
o
catador
sua
a
negra
embriagada
canta
o
suicida
reflete
as
famílias
regurgitam
o
banquete
e
a
jovem
dama
degusta
seu
salmão
defumado
enquanto
o
cavalheiro
anfetaminado
apaixonado
lambe
os
pés
gelados
de
sua
nobre
PUTA
   
 
   

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

o que nos restaria sem nossas canções românticas?

o que nos restaria sem nossas canções românticas?

acordei
cantando
agora
demônio
da
 meia-noite
me
faz
lacrimejar
soluçar
e
deixo
que
faça
minha
vida
é
assim
 mesmo
um
amanhecer
sorridente
depois
crepúsculo
a
encher
de
sangue
e
dor
as
pálidas
mãos
GOSTO DISSO
já
é
meia-noite
e
um
demônio
afasta-se
a
brasa
do
cigarro
brilha
em
vermelho
na
escuridão
da
cela
ouço
uma
tola
canção
de
amor
iguais
a
milhares
de
outras
todas
tolas
e
imprescindíveis
ouço
o
demônio
assobiar
próximo
ao
portão
GOSTO DISSO
essa
maneira
de
viver
estúpida
e
agradável
que
não
inventamos
herdamos
e
afirmamos
em
celas
escuras
e
giro
o
cigarro
com
fúria
a
brasa
transforma-se
num
anel
em
chamas
GOSTO DISSO
daqui
à
6
horas
novo
amanhecer
talvez
nem
desmaie
talvez
permaneça
ouvindo
essas
canções
imbecis
e
indispensáveis
a
escapulir
das
gargantas
dessas
fêmeas
sentimentais
cantarolando
o
que
não
podemos
esquecer
se
esquecermos
não
surgirão
nossas
queridas
doloridas
paixões
nosso
mundo
desaba!
sem
essas
idiotas
e
necessárias
canções
de
amor
o
cigarro
morre
solitário
no
quarto
escuro
GOSTO DISSO
o
planeta
inteiro
cortejando
o
abismo
festivos
em
suas
orgias
cabisbaixos
nos
seus
funerais
sonhando
e
planejando
mais
sonhos
enquanto
gargalho
nas
suas
faces
porque
GOSTO DISSO
mas
não
participo
de
forma
direta
dessa
embriaguez
coletiva
esse
banquete
magrelo
vago
entre
todos
até
cumprimento
até
abraço
até
mordo
o
pescoço
e
enfio
a
língua
nas
vaginas
de
universitárias
meigas
prostitutas
amargas
mas
não
compartilho
o
pão
oferecido
nessa
ceia
até
engulo
uns
nacos
é
puro
disfarce
faz
parte
do
meu
show
lá
fora
é
tudo
farsa
minha
verdade
está
nessa
escrita
tão
ridícula
(mal
vejo
o
que
escrevo
na
cela
banhada
pela
tímida
lua)
ouvindo
mais
uma
debilóide
desesperada
canção
de
amor
brincando
com
a
brasa
formando
círculos
de
fogo
em
noite
quente
de
agosto
está
chegando
a
primavera
putaria
da
natureza
recomeça
a
minha
é
possível
que
continue
no
circo
que
precisa
de
um
palhaço
como
eu
senão
para
quem
eles
irão
apontar
seus
dedos
acusatórios?
GOSTO DISSO
lá
fora
um
grande
ator
aqui
uma
MERDA
de
escritor
e
o
calor
cresce
vou
me
despir
e
me
masturbar
lentamente
ouvindo
mais
uma
canção
de
amor
GOSTO DISSO