quarta-feira, 31 de maio de 2017

chegaste

                                                                a Simone Aparecida Alves

no
meu
endereço
antes
fustigado
pelas
chamas
do
abandono
escuto
vozes
alvoroçadas
um
tanto
desesperadas
mas
entupidas
de
um
desespero
alegre
meio
festivo
meio
encurvado
meio
discreto
meio
espalhafatoso
e
gostoso
é
receber
na
ponta
da
língua
essas
vozes
vindas
dos
mais
variados
seres
mas
quando
ela
passa
no
momento
em
que
escrevo
tudo
se
cala
no
meu
endereço
é
que
um
sorriso
bobo
brota
na
face
quando
ela
passa
provocando
um
silêncio
nunca
ouvido
antes
provocando
garranchos
no
papel
provocando
harmonia
passageira
no
eterno
caos
que
é
viver
tudo
isso
e
muito
mais
acontece
agora
que
ela
passa
com
seu
estilo
índia
pisoteando
elegante
o
chão
antes
solitário
do
meu
endereço

segunda-feira, 15 de maio de 2017

  Última noite na Terra
 
O
poeta
se
despede
e
pede
aos
 que
ficam
um
discurso
verdadeiro
nada
de
homenagem
diante
do
corpo
estendido
afinal
os
melhores
poetas
são
as
piores
pessoas
e
como
a
lesma
a
deixar
rastro
gosmento
sobre
o
azulejo
bege
 do
banheiro
infecto
deixo
essa
também
gosmenta
essa
escrita
é
apenas
um
amontoado
de
bobagens
já
que
o
poeta
reconhece
o
desastre
ambulante
que
foi
seu
caminhar
sobre
o
planeta
  AH!!!
saudades
da
teta
de
minha
prima
a
amamentar
este
que
vos
escreve
e
mais
ele
se
atreve
a
dizer
que
a
existência
é
uma
FARSA
ele
afirma
no
seu
delírio
verborrágico
gratuito
(pois
nada
quer
em
troca)
seu
delírio
diz
que
nada
existe
nem
VOCÊ
nem
sua
FAMÍLIA
nem
os
moradores
do
MUNDO
seja
hoje
ontem
ou
amanhã
o
poeta
afirma
que
tudo
é
ILUSÃO
não
estamos
vivos
tudo
é
PALAVRA
somente
a
palavra
EXISTE
nós
NÃO
portanto
ninguém
morre
o
que
MORRE
é
essa
miragem
simbolizada
que
parece
REAL
apenas
PARECE
assim
não
MORRO
morre
essa
figura
lamentável
que
nunca
existiu
e
se
nunca
existiu
não
nasceu
e
não
pode
morrer
já
que
a
existência
é
uma
FRAUDE
estamos
presos
nos
dedos
do
MESTRE
das
MARIONETES
dessa
forma
me
despeço
daqueles
 que
também
não
existem
ACEITE
essa
condição
e
o
medo
da
MORTE
desaparece
também
DESAPARECE
a
DOR
que
nunca
EXISTIU
mas
machucou
e
MUITO

 
 
 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ANOTAÇÃO BÊBADA DE UM BÊBADO APAIXONADO

                                                                                              a Simone Aparecida Alves

jaz
a
festa
ou
melhor
morre
a
festa
ou
seja
a
FESTA
acabou
e
agora
     BERNARDES??? 
LUZES
fatigadas
se
despedem
com
olhar
triste
FOGOS
são
assassinados
por
vento
gelado
do
inverno
galopante
MORRE
BERNARDES
tudo
MORRE
mas
dizem
que
tudo
RENASCE
com
teimosia
típica
de
casal
discutindo
qual
a
posição
mais
favorável
para
a
cama
deitar
e
TEIMA
casal
como
nos
velhos
tempos
se
TEIMAVA
até
que
os
chumaços
de
cabelo
e
os
gritos
brilhantes
se
encravassem
nos
dentes
(já
amarelados
pelo
tabaco
além
de
banguelas
pela
idade)
mas
que
ainda
mordem
orelhas
amadas
mesmo
quando
a
FESTA
TEIMA
em
se
acabar

segunda-feira, 8 de maio de 2017

    VOCÊ É DOIDO O SUFICIENTE???

QUANDO
ESSA
COISA
CHAMADA
VIDA
ARDE
NA
VEIA
CORAÇÃO
INFLA
COMO
BEXIGA
É
INVADIDO
POR
VENTO
ALEGRE
E
SE
TEU
AMIGO
VENTO
ESTÁ
AUSENTE
ENTOE
UM
CÂNTICO
SORRIDENTE
ATRAVÉS
DE
SUAS
ORELHAS
TRANSPARENTES
E
TUDO
ACONTECERÁ 
SE
O
CÂNTICO
NÃO
O
TROUXER
VAGUE
DOIDO
ESTRADA
 AFORA  
ASSOBIANDO
BAIXINHO
UM
HINO
ESTRANGEIRO
SE
MESMO
ASSIM
NADA
ACONTECER
SE
MESMO
ASSIM
NÃO
SURGIR
FOGARÉU
NA
VEIA
ESQUÁLIDA
CONTINUE
INVENTANDO
FORMAS
DE
ATRAIR
O
VENTO
ALEGRE
OU
ESQUEÇA
ISSO
QUE
ESCREVI
E
FAÇA
O
QUE
VOCÊ
QUISER
AFINAL
NÃO
SOU
PADRE
PARA
ACONSELHAR
ALGUÉM
AINDA
MAIS
VOCÊ

QUE
É
 DOIDO
O
SUFICIENTE
PARA
LER
ESSA
BOBAGEM

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CONFORTÁVEL INSEGURANÇA


se
hoje
o
mel
mancha
os
arredores
mornos
da
boca
que
um
dia
esteve
  semi morta  
tudo
indica
que
logo
mel
semi morto
manchará
os
arredores
mornos
da
boca
que
um
dia
 esteve
melada
já
que
vida
que
levo
oscila
mais
que
pinheiro
magrelo
à
mercê
do
vento
doido
das
tardes
de
outono
e
sempre
foi
assim
dias
sim
dias
não
vou
sobrevivendo
colecionando
arranhões
por
todo
usado
corpo
que
navega
trôpego
as
águas
do
Iguaçu
corpo
a
possuir
dedos
cadavéricos
que
 espancam
delicadamente
as
teclas
dessa
máquina
enquanto
admiro
o
esvoaçar
 dos
cabelos
pretos
de
Simone
ela
se
despede
com
seu
olhar
alegre
tristonho
e
escrevo
isso
saboreando
o
mel
que
retirei
do
seu
útero
com
suaves
toques
de
obscena
língua
sabendo
que
a
ruína
de
nosso
castelo
de
cartas
viciadas
pode
acontecer
a
qualquer
momento
estranhos
dias
em
um
mundo
estranho
e
há
um
sorriso
teimoso
pregado
em
minha
face
antes
tão
ensanguentada
e
há
sorrisos
teimosos
em
todas
as
faces
que
vejo
mesmo
naquelas
nitidamente
desesperadas
SERÁ
QUE
ESTOU
PRESO
NUM
FILME
 ROMÂNTICO?
OU
LIBERTO
DEMAIS
NUM
PALCO
DE
IMINENTE
  TRAGÉDIA?
acho
que
estou
com
um
pé
em
cada
um
e
ao
mesmo
tempo
flutuo
entre
as
nuvens
pálidas
do
dia
não
mais
 enrubescido 

terça-feira, 18 de abril de 2017

no bar do Paulista

o
carro
cinza
passa
e
a
moça
de
vestes
coloridas
passa
nuvens
não
se
movimentam
sob
o
sol
do
verão
"onde
estarei
quando
essa
estação
  findar?"
talvez
trancafiado
naquele
local
chamado
hospício
talvez
adormecido
naquele
local
chamado
casa
"e
como
  estarei?"
talvez
sem
uma
gota
de
gordura
a
invadir
o
corpo
cadavérico
talvez
triste
escutando
BLUES
numa
cadeira
de
balanço
quebrada
talvez
contente
ANDARILHO
entre
as
folhas
pardas
do
mês
vindouro
talvez
ainda
coberto
do
ouro
que
tanto
fascina
àqueles
que
não
o
possuem
que
tanto
desagrada
este
que
vos
escreve
já
que
rasgo
notas
de
2
reais
já
que
arremesso
moedas
de
10
centavos
na
calçada
selvagem
na
qual
os
mansos
passeiam
PLANEJANDO
SONHANDO
enquanto
permaneço
próximo
do
meu
endereço
tentando
me
comunicar
com
CÃES
GATOS
GALOS
PÁSSAROS
já
que
nada
tenho
a
dizer
aos
que
são
chamados
de
HUMANOS
e
o
ano
novo
me
parece
grandiosa
velharia
assim
escrevo
isso
que
dizem
ser
POESIA

aos lobos selvagens

LOBÃO
disse
que
o
riso
escorre
fácil
quando
a
grana
corre
solta
EU
digo
mais:
"O
riso
não
escorre
fácil
quando
o
amargor
do
 alcalóide 
perfura
a
gengiva
O
riso
não
escorre
fácil
quando
a
prostituta
não
é
sua
amiga
(cospe
na
sua
cara
depois
vocifera
idiotices
dignas
de
um
verdadeiro
espancamento
em
sua
face
atormentada)
O
riso
não
 escorre
fácil
quando
alguém
lhe
entrega
conselhos
com
a
boca
imunda
exalando
esgoto
O
riso
não
escorre
fácil
quando
a
chuva
massacra
seu
cabelo
(transformando
em
lama
todo
aquele
pus
que
já
habitava
seu
ser)
O
riso
às
vezes
escorre
fácil
como
dizia
LOBÃO
quando
moças
meigas
abrem
sorrisos
e
fecham
pernas
na
tentativa
de
preservar
o
segredo
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
quando
a
música
se
perpetua
no
tímpano
enjaulado
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
quando
um
girassol
AMARELO
VAN GOGH
pisca
e
você
acende
delicadamente
seu
cigarro
com
palito
de
fósforo
banhado
de
sol
holandês
é
LOBÃO
O
riso
escorre
fácil
mas
nem
sempre
e
nem
sempre
quando
a
grana
corre
 solta"